H? um poder na poesia ainda subestimado na atualidade. Ela faz aproxima??es impens?veis e imposs?veis, sendo capaz de levar amor onde o ?dio transita com facilidade, a poesia ? como um pouco de luz dentro da mais densa escurid?o, ela se faz notar e se transforma em objeto de resist?ncia. Os poetas incomodam porque s?o como crian?as brincando com a imagina??o, e brincar n?o ? coisa de adulto, gente s?ria n?o olha para uma vassoura e v? um cavalo, as crian?as fazem isso. Os poetas n?o s?o pessoas s?rias, eles enxergam beleza no ?bvio, como escreveu o poeta Manoel de Barros: "Poesia ? a loucura das palavras". Ent?o escrevo poemas, ou ser? a poesia que me escreve? Escrevo poesia sobre amores esquecidos, m?sicas que n?o tocam mais, livros empoeirados na estante, garrafas de vinhos lacradas com suas rolhas, rascunhos perdidos em gavetas fechadas. Escrevo sobre chegadas e partidas, feridas abertas, amores abortados, lingeries rasgadas, copos solit?rios de whisky, tudo se torna poesia. Porque poesia? Essa filha bastarda da literatura? Esta subvers?o, na l?ngua, da ordem cristalizada - o fracasso do inconsciente, como definiu Lacan. Qual o poder impl?cito nela? Mesmo poeta, n?o sei responder, talvez por isso o mestre franc?s - Jacques Lacan - a tenha comparado com a Psican?lise, ao afirmar que esta n?o passava de uma fraude, como a pr?pria poesia. E se a poesia n?o tem o poder de salvar o mundo de sua pr?pria estupidez, ao menos salva o instante. E isso j? ? o bastante.
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